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Antes crescei na graça e no conhecimento

 



Para termos uma compreensão mais ampla da passagem em apreço (2 Pe 3.18), é necessário olharmos para o contexto geral da carta. O contexto nos dará mais elementos, e uma compreensão mais assertiva sobre a forma como Pedro termina sua carta. Entendermos quais as circunstâncias da carta, as “motivações” da escrita, o público para o qual a carta foi enviada, o propósito geral etc. são elementos indispensáveis no processo de estudo da passagem em questão.

 

 

AUTOR: O autor é o Apóstolo Pedro. O mesmo se identifica logo no início da carta: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram a fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1.1).

 

 

DESTINATÁRIOS: A epístola de Pedro é uma epístola geral ou universal, ou seja, não foi escrita para uma comunidade ou igreja específica como: a igreja em Éfeso, Corinto ou Filipos. Pedro apenas identifica seus destinatários como: “...os que alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1.1). Logo, ainda que muitos defendam que a mesma foi escrita principalmente para cristãos que viviam na região da Ásia Menor (atual Turquia), a mesma está na categoria das cartas gerais ou universais.

 

 

DATA: A carta foi escrita provavelmente entre os anos 63 e 68 d.C., segundo a maioria dos estudiosos.

 

 

TEMA E PROPÓSITO: A carta é Apologética. Pedro escreveu essa carta para advertir os cristãos acerca dos falsos ensinos dos falsos mestres. Pedro faz várias recomendações aos seus destinatários, a fim de que os mesmos se mantivessem preparados e atentos quanto aos engodos dos enganadores. Veja que, no penúltimo versículo da carta Pedro cita os hereges dos seus dias e os chama de “homens abomináveis”; e encerra a carta apresentando o antídoto contra os falsos mestres: “crescer na graça e no conhecimento”. Pedro encoraja, anima seus destinatários a permanecerem firmes, frente aos ataques que eles estavam sofrendo.

 

 

SEMELHANÇA COM A CARTA DE JUDAS: A segunda epístola de Pedro e a epístola de Judas têm muito em comum. Ambas têm a Apologética (defesa da fé) como tema central. Tanto Pedro quanto Judas estavam preocupados com a integridade doutrinária e espiritual da igreja, frente aos ataques dos falsos mestres. Ambos fazem sérias advertências aos seus destinatários acerca das heresias que eram (e que são) uma ameaça constante à igreja do Senhor.

 

 

A PASSAGEM EM APREÇO (2Pe 3.18)

 

“Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (2 Pe 3.18)

 

 

O IMPERATIVO (ORDEM), CRESCEI

 

 

Pedro inicia o versículo com um imperativo, crescei. Um imperativo é uma ordem, ou uma forte recomendação. Ou seja, Pedro não está meramente sugerindo, ou levantando uma hipótese, ele está fazendo uma forte recomendação, ou dando uma ordem aos seus destinatários, cresçam. Como pode ser visto, assim como foi na vida dos leitores da segunda carta de Pedro, também é na nossa, o crescimento é uma necessidade extrema, inadiável, inegociável; logo, cresçamos. Pedro exorta os seus destinatários a crescer, pois só assim eles poderiam fazer frente aos enganos dos seus dias, e alcançarem a maturidade cristã.

 

 

 

CRESCIMENTO CONTÍNUO

 

A palavra grega crescei, cresçam na passagem, é o verbo grego auxano. O verbo está no imperativo presente, e indica uma ação contínua, não é um evento único. A ideia é, continuem crescendo, dia após dia, progressivamente. A recomendação de Pedro é de que os cristãos deveriam encarar o crescimento não como um ato único e isolado, mas que eles deveriam ter o crescimento como um “estilo de vida”. O crescimento deveria ser diário, contínuo e progressivo. Como o mesmo Pedro diz em sua primeira carta: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por eles vades crescendo” (1 Pe 2.1-3). O crescimento na graça/e conhecimento é um processo que se dá diariamente, até que cheguemos a “estatura de varão perfeito”.

 

 

 

A SALVAÇÃO É PELA GRAÇA, E SOB ESSA GRAÇA CRESCEMOS

 

A salvação é pela graça, mediante a fé (Ef 2.8-10). A salvação é uma obra divina, não é produto das mãos humanas. Uma vez que fomos salvos, regenerados, entramos em processo de santificação (Hb 12.14) e crescimento. A graça não é estática e sem vida, ao contrário, uma vez que a recebemos pela fé, essa graça nos leva ao crescimento espiritual e à maturidade cristã. Os frutos da graça são visíveis na vida daqueles que a receberam pela fé em Cristo Jesus.

 

 

A ordem de Pedro é semelhante à recomendação de Paulo aos irmãos de Filipos: “...desenvolvam a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12). Paulo exorta os irmãos de Filipos a desenvolver a salvação. Notem que, a salvação é uma obra divina, logo, desenvolver a salvação não significa gerar, ou produzir a salvação, pois a mesma é fruto da graça de Deus.

Desenvolver a salvação significa crescer na graça que um dia eles receberam; significa crescer em Cristo, significa caminhar em direção à maturidade cristã. Assim, tanto Pedro quanto Paulo estão dizendo para uma comunidade de salvos: já que vocês foram salvos pela graça, como consequência natural disso, cresçam nessa mesma graça, a fim de alcançarem a maturidade cristã, a estatura de “varão perfeito” (Ef 4.13-16).

 

 

 

GRAÇA X CONHECIMENTO

 

 

Muitos erroneamente criam uma dicotomia entre graça e conhecimento, outros entendem que graça e conhecimento são duas vias separadas. Ambas as percepções estão equivocadas. Por um lado, não há qualquer dicotomia entre graça e conhecimento, nem aqui e em nenhum lugar das Escrituras. Por outro lado, Pedro não trata graça e conhecimento como se fossem vias separadas, ou estradas distintas para se chegar a um único destino.

Graça e conhecimento são expressões entrelaçadas que denotam um mesmo conceito teológico. Logo, não é graça mais conhecimento, é graça/e conhecimento.

 

 

KAI (E), A CONEXÃO ENTRE OS DOIS TERMOS - GRAÇA E CONHECIMENTO

 

Pedro utiliza um kai, entre graça e conhecimento. O kai é uma conjunção. A função de uma conjunção é conectar termos ou orações estabelecendo uma relação de sentido entre elas. A conjunção atua como um elo para a coesão e fluidez de um texto. Assim, Pedro trata graça e conhecimento como realidades “inseparáveis”. Logo, crescer na graça é crescer em conhecimento; crescer no conhecimento é crescer na graça. Não há como desassociar uma coisa da outra.

 

O QUE É CRESCER NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO?

 

Pedro usa uma metáfora do processo natural de crescimento para aplicar ao processo de crescimento espiritual na vida do salvo.

Assim como uma criança desde a sua concepção cresce “naturalmente e de forma progressiva”, da mesma forma deve ser o crente desde seu “novo nascimento” (Jo 3.3), o mesmo deve crescer dia após dia, rumo a estatura de varão perfeito.

 

CRESCER NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO É:

 

●     CRESCER EM CRISTO. Crescer na graça e no conhecimento é crescer em Cristo. É crescer em relacionamento com Cristo, é se tornar a cada dia mais parecido com Cristo. Esse crescimento é espiritual e progressivo e tem implicações em todas as áreas de nossas vidas (Ef 4.15). Crescer na graça e no conhecimento é ser íntimo de Cristo, é ter comunhão com Cristo etc.

●     CRESCER E AMADURECER. É o crescimento na graça e no conhecimento que nos leva à maturidade cristã. Assim como uma criança nasce, cresce, se desenvolve e alcança a maturidade, também é assim na vida cristã. A partir do novo nascimento nós entramos nesse processo de crescimento que nos leva paulatinamente à maturidade espiritual.

●     CRESCIMENTO ESPIRITUAL. Pedro usa uma metáfora de um crescimento natural, para retratar a realidade do crescimento espiritual. Crescer na graça e no conhecimento é crescer espiritualmente. O crescimento é espiritual, a fonte do crescimento é espiritual e esse crescimento deve se dar em nossas vidas primeiro na esfera espiritual (obviamente terá implicações nas outras áreas da vida). Logo, não é um crescimento meramente humano ou algo carnal. É um crescimento promovido por Deus em nossas vidas.

●     CRESCER EM UNIDADE, COM CRISTO E COM A IGREJA (Ef 4.5,16). Crescer na graça e no conhecimento é crescer em unidade. Essa unidade é primeiro vertical (com Deus), e consequentemente horizontal (com o corpo de Cristo). Ou seja, quando crescemos e amadurecemos, esse crescimento e amadurecimento nos leva a viver em unidade e comunhão, com Deus, e por extensão com a noiva de Cristo, a igreja.

●     CRESCER EM AMOR. O crescimento deve ser em amor, e o mesmo nos leva ao amor fraternal, maduro (2 Pe 1.7). O verdadeiro crescimento é permeado pelo amor, e na medida em que vamos alcançando a maturidade, vamos não só compreendendo, mas vivendo esse amor na íntegra, vivendo de forma prática e experimental. Como Paulo disse: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor” (Rm 13.8). Ou seja, o crescimento em Cristo deve nos levar a perseguir essa meta diária, de amarmos a Deus e ao próximo mais e mais, de forma sacrificial e verdadeira.

 

 

 

Assim, crescer na graça e no conhecimento é crescer em Cristo, é crescer em tudo naquele que é cabeça: Cristo. É um crescimento cuja fonte é o próprio Deus. Esse crescimento é espiritual e progressivo na vida do salvo. É um crescimento que nos leva à maturidade cristã, à estatura de “varão perfeito” (Ef 4.13-16).

 

 

CONHECIMENTO PRÁTICO X EXPERIMENTAL

 


A palavra grega que Pedro usa para conhecimento é gnosis, que tem o sentido de conhecimento intelectual, mas também tem o sentido de conhecimento experimental, prático. Alguns também querem fazer uma dicotomia entre conhecimento intelectual e conhecimento prático, como se ambos devessem andar separados. Essa percepção é equivocada pois, teoria e prática devem estar atreladas. O conhecimento intelectual deve se tornar prático. O próprio Jesus diz isso: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha: E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha” (Mt 7.24, 25). Ou seja, o que ouve, lê e conhece intelectualmente, deve ser aquele que pratica (conhecimento prático e experimental).

Tiago também assevera essa verdade ao afirmar: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1.22).

 

Portanto, não pode haver dicotomia entre conhecimento intelectual e conhecimento prático ou experimental. Conhecimento intelectual e prático não devem ser tratados como duas perspectivas diferentes ou antagônicas. O conhecimento intelectual deve ser convergido em conhecimento prático.

Ou seja, o conhecimento intelectual deve nos levar a uma vida de profunda comunhão com Deus.

Conhecimento intelectual sem prática é mero intelectualismo. As letras Sagradas devem encher as nossas mentes, mas também os nossos corações. Ao estudar as Escrituras, precisamos permitir que elas não apenas aumentem o nosso conhecimento, mas também (e principalmente) que mudem as nossas vidas. O conhecimento não tem como principal fim nos fornecer diplomas, títulos ou postulados acadêmicos (embora seja importante), mas deve sobretudo nos levar para mais perto de Deus, nos levar a parecer mais com Cristo

 

 

 

A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO E A RESPONSABILIDADE HUMANA NO PROCESSO DE CRESCIMENTO

 

 

Sabemos que o crescimento na graça e no conhecimento é fruto da graça de Deus. A graça que nos salvou é a graça que nos sustenta e edifica, e é por meio dela que o Espírito Santo opera em nós o crescimento (Fp 1.6), é sob essa graça que nossa salvação será consumada, no dia da glorificação (1 Co 15.50-52). O Espírito Santo é o agente da santificação (2 Ts 2.13; 1 Pe 1.2), e é Ele que gera seu fruto em nós (Gl 5.22), logo Ele também nos faz crescer.

Mas, a ação do Espírito Santo não tira nossa responsabilidade no processo de crescimento.

Uma criança é projetada por Deus biologicamente para crescer, e esse processo se dá naturalmente. Essa criança, quando ainda no ventre de sua mãe, depende inteiramente da mesma para se alimentar, e essa dependência se estende para além da vida pós-útero, pós-nascimento.

Mas observe que, embora a criança seja planejada por Deus para se desenvolver naturalmente, ela precisa ser alimentada (temos aqui uma sinergia). Quando cresce, a criança continua se desenvolvendo, e precisa obviamente se alimentar, e agora (em idade própria) por conta própria, e ainda assim a interdependência continua, pois o seu corpo continuará se desenvolvendo, mas a mesma tem a responsabilidade de mantê-lo não só na parte da alimentação, mas também no cuidado com a saúde e em outras áreas. É uma via de mão dupla: a criança, o adolescente, crescerá e se desenvolverá naturalmente, mas isso só é possível se o mesmo se alimentar e se alimentar adequadamente. O corpo sem alimentação morre.

 

No crescimento espiritual também há uma sinergia; é o Espírito que gera em nós crescimento, mas eu preciso primeiro me submeter ao crescimento, ou seja, permitir que o Espírito Santo trabalhe no meu ser, mas eu preciso, além de permitir, fazer a minha parte no processo. O Espírito Santo não fará aquilo que compete a mim fazer. Logo, se queremos crescer, sob o poder do Espírito Santo nós precisamos estar dispostos a nos integrar profundamente nesse processo de mutação e transformação espiritual diária. Jesus disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). Jesus usa um elemento comum, físico, para retratar uma realidade espiritual. O corpo precisa de pão, alimento para se manter, mas o nosso espírito e a nossa alma precisam de um alimento espiritual para permanecer vivos, a palavra de Deus. Veja que, é Deus quem nos dá vida e nos faz crescer, mas eu preciso me alimentar diariamente das Escrituras Sagradas, se quero permanecer vivo espiritualmente. 

 

POR QUE PRECISAMOS CRESCER? 

 

Existem inúmeros motivos pelos quais precisamos crescer. Já sabemos que o motivo geral pelos quais os destinatários da carta de Pedro deveriam crescer na graça e no conhecimento era para que eles se fortalecessem contra os ataques dos falsos mestres (2 Pe 3.17,18). Mas, existem outros motivos na própria carta atrelados a este.

Citaremos alguns desses motivos, especialmente os listados no capítulo 3 da epístola.

 

 

●     O CRESCIMENTO TRAZ ÂNIMO (2 Pe 3.1).

Pedro inicia o capítulo 3 mostrando que desejava despertar os seus leitores para que eles tivessem ânimo. Ânimo é vida espiritual, e as falsas doutrinas minam a vida espiritual da igreja. Logo os cristãos precisavam de vida, de vigor, de ânimo espiritual para enfrentar os ataques dos hereges do seu tempo.

 

●     PARA QUE ELES LEMBRASSEM DA PALAVRA DOS PROFETAS (2 Pe 3.2) O crescimento está atrelado à palavra de Deus. Não há crescimento sem as Escrituras Sagradas (Jo 15.3). Pedro deseja que seus leitores lembrem, ou tenham fixa em suas mentes e corações a palavra de Deus. Por isso ele diz que eles deveriam lembrar da palavra que primeiro foi falada pelos santos profetas, e também por eles como apóstolos do Senhor. Nessa palavra eles deveriam estar firmes. A palavra de Deus é a base sólida para o crescimento na graça e no conhecimento.

 

●     CRESCER PARA SE RESGUARDAR CONTRA O ENGANO (2 Pe 3.17). Esse é o propósito geral da carta, a exortação acerca dos falsos ensinos dos falsos mestres. Pedro mostra que, sem o crescimento na graça e no conhecimento os destinatários da sua carta jamais poderiam fazer frente aos “homens abomináveis” do seu tempo. O crescimento espiritual nos aproxima de Deus; mais próximos de Deus estamos resguardados dos ataques dos hereges. Na comunhão do Senhor os nossos alicerces espirituais estão firmes.

 

●      CRESCER PARA CONTINUAR A VIVER/ CRESCIMENTO É VIDA (2 Pe 3.1). Quando nós deixamos de crescer, começamos literalmente a morrer. Salomão diz que: “Quem deixa de aprender, até o que sabia esquece” (Pv 19.27). E aqui não é só um esquecimento intelectual, é muito mais que isso. Deixar de aprender é deixar de crescer; deixar de crescer na graça e no conhecimento é caminhar para o abismo espiritual. Muitos estão mortos, estagnados espiritualmente, porque deixaram de crescer progressivamente.

 

●     CRESCER NA ESPERANÇA ESCATOLÓGICA (2 Pe 3.4, 9). A segunda carta de Pedro também tem aspectos escatológicos. Pedro trata de alguns dos eventos finais, como a “Vinda do Senhor”. Pedro exorta os seus leitores a permanecerem firmes aguardando a Vinda de Cristo. O mesmo procurava gerar no coração de seus destinatários a “esperança Escatológica”. Esperança Escatológica não é especulação Escatológica. Esperança Escatológica é:

 

A)   A expectativa diária do “Arrebatamento da Igreja”

B)   É viver em esperança e fé

C)   É amar a “Vinda do Senhor” (2 Tm 4.8)

D)   É viver como cidadão da terra, mas sem perder a eternidade de vista

E)   É aguardar o Arrebatamento cumprindo a missão (Mc 16.15)

F)    É aguardar o Senhor em santificação (1 Jo 3.2)

G)   É esperar em Deus para além desta vida (1Co 15.19) etc.

 

João resume bem o que é esperança escatológica quando diz: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 Jo 3.2,3) Você tem tido esperança Escatológica?

  

 

QUAIS OS MEIOS DE CRESCIMENTO?

 

 

Já vimos que o Espírito Santo é o agente do crescimento, e já vimos também que a ação do Espírito Santo em nós não tira a nossa responsabilidade no processo. Agora, veremos alguns dos meios que o próprio Deus estabeleceu como base para crescermos na graça e no conhecimento.

 

 

●     A PALAVRA DE DEUS. Como já dito de forma breve e prévia, não há crescimento sem a palavra de Deus. Vejamos algumas declarações bíblicas a respeito:

 

A)   Paulo diz que a palavra nos dá instrução, ensino, correção e repreensão (2 Tm 3.16,17)

B)   Também diz que a palavra nos dá maturidade espiritual (Ef 4. 13-15)

C)   Pedro diz que a palavra é “como” leite (alimento) que produz crescimento (2 Pe 2.2)

D)   O autor aos Hebreus diz que a palavra é alimento e que a mesma produz discernimento (Hb 5.13,14)

E)   O salmista diz que a exposição da palavra traz entendimento (Sl 119.130)

 

Assim, sem a palavra o cristão não cresce, ele decresce. O cristão deve ler a palavra, estudar a palavra, meditar na palavra, amar a palavra. É impossível amar ao Deus da palavra se não amarmos a palavra de Deus. Por isso o salmista disse: “muita paz tem os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (Sl 119.165). Jesus disse: “Aquele que me ama, guarda a minha palavra…” (Jo 14.23). Se a pessoa não lê, não estuda, como ela vai guardar a palavra?

 

●     A ORAÇÃO. Ao lado da palavra está a oração, sem oração não há crescimento espiritual. Sem oração não há vida espiritual, não há comunhão com Deus. O crente sem oração vive distante de Deus. Não é possível ter relacionamento profundo com Deus sem termos uma vida de oração.

Vejamos algumas passagens bíblicas a respeito:

 

A)   Paulo diz que a oração “dá” poder e firmeza espiritual (Ef 3.14-17)

B)   Paulo incentiva a igreja de Colossos a perseverar em oração, para o bom andamento da obra de Deus (Cl 4.1-6)

C)   Tiago diz que a oração sara, cura, ou seja, Deus sara e cura através da oração

D)   O salmista diz que Deus está perto (comunhão) dos que o buscam (Sl 145.18)

E)   Jesus orientou os discípulos a orarem, para não entrarem em tentação (Mt 26.41)

F)    Tiago diz que devemos orar para pedir sabedoria a Deus (Tg 1.5)

 

A oração é indispensável para o crescimento espiritual. O cristão deve ter uma vida de oração. É muito mais que petições aleatórias, ou campanhas esporádicas para fins específicos. Oração é gratidão, é confissão, é alimento, é relacionamento diário com Deus. Através da oração e da palavra, nós conhecemos a Deus e conhecemos a nós mesmos. Esse conhecimento intelectual/prático nos leva a uma relação profunda com Deus. Ore, ore, sempre.

 

●     A ADORAÇÃO

O que é adoração? Há quem pense que a adoração está restrita ao momento do culto na igreja, ou que adoração se restringe a nossas manifestações de adoração e gratidão a Deus durante o culto no templo. Isso faz parte da adoração, mas adoração vai muito além disso. A adoração é na verdade uma vida para a glória de Deus. Adoração é um estilo de vida. Tudo o que fazemos, em casa, no trabalho, na igreja, na sociedade etc., em que Deus é glorificado, isso é adoração.

Adoração não é simplesmente o que fazemos, é antes de tudo o que somos e o porquê fazemos. Adoração vai além do culto no templo, a adoração é inteira quando a nossa vida é um verdadeiro culto a Deus.

Jesus bem disse: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24).

A adoração produz crescimento espiritual. Ao adorar estamos frutificando, e essa frutificação nos leva à maturidade espiritual.

 

●     O ATO DE CULTUAR. Cultuar a Deus também produz crescimento. É importante destacar que a nossa própria vida deve ser um culto contínuo a Deus. Mas o ato de cultuar no templo faz parte desse processo. Mas é preciso que o crente entenda o que é o culto e qual a finalidade do mesmo. Muitos têm o seu próprio ego como o centro do culto. Há os que prestam um culto a si mesmo no templo. Promovem cultos segundo as suas imagens e segundo seus semelhantes. É a entronização do eu. O centro do culto é Deus. É a ele que prestamos culto. O crente deve ir à igreja não para prestar um culto a si mesmo, e também não deve ir meramente assistir a um culto; mas, devemos ir ao templo prestar o nosso melhor culto a Deus. Ele é quem deve ser cultuado. Culto é lugar de reverência e temor diante de um Deus que merece uma devoção e exaltação profunda e sincera. A quem tem sido seu culto? Como tem sido seu culto? (Rm 12.2; Jo 4.22). Tenhamos cuidado com o culto à personalidade. Toda honra e glória seja dada a nosso Deus.

 

 

●     O SERVIÇO CRISTÃO. O serviço cristão produz crescimento espiritual. O serviço faz parte da adoração cristã. Se feito da forma correta, pelos meios e motivos corretos, o serviço cristão é uma demonstração de amor a Deus e a sua igreja. Veja que não estamos falando de ativismo eclesiástico; muitos servem por servir, ou servem por motivos egoístas. Mas o serviço que agrada a Deus é o que é feito com amor, com gratidão, com humildade, sempre pensando na glória de Deus e na edificação do corpo de Cristo. O próprio Jesus deu exemplo de “servo” e de “serviço” (Mc 10.45). Muitos estão preocupados apenas com o ativismo eclesiástico, e com a autopromoção; mas Deus busca os que servem por amor a Cristo e a sua amada igreja.

 

 

●     A DISCIPLINA CRISTÃ. A disciplina é uma verdade bíblica e se faz necessária. Se aplicada corretamente, produz crescimento. O autor aos Hebreus diz que Deus corrige a quem ele ama; diz que os filhos de Deus devem suportar a disciplina; diz que a disciplina produz santidade e ainda diz que a disciplina no momento traz tristeza, mas depois produz frutos pacíficos de justiça (Hb 12.5-11). A disciplina é necessária, seja as que vêm diretamente de Deus, as que vêm dos pais ou de homens a quem Deus delegou essa autoridade (pastores). Aqueles que aplicam a disciplina (seres humanos) devem aplicá-la com base nas Escrituras, e com dois propósitos principais: a correção e a restauração. Ela, se bem aplicada, produz vida e crescimento.

 

●     APRENDER PARA CRESCER. Parece óbvio mas, estamos em dias que o óbvio sempre precisa ser enfatizado. Quem quer crescer, precisa aprender:

 

A)   Aprender com Deus

B)   Aprender de Deus

C)   Aprender com os mais experientes

D)   Aprender até com quem tem menos experiência

E)   Sentar, ouvir, meditar

F)    Admitir quando não se sabe

G)   Ter humildade para perguntar o que não se sabe

 

Algumas pessoas acham que, devido seu tempo de fé, de caminhada, quem sabe devido seus muitos diplomas, status, ou até mesmo experiência, acham que não precisam mais aprender; eis um sintoma de imaturidade e orgulho. Todos precisamos aprender, o aprendizado é contínuo. O aprendizado diário faz parte do discipulado cristão. Um discípulo não se faz em apenas uma etapa, mas é o trabalho de uma vida. Ou seja, o discipulado é até que Jesus venha nos buscar. Logo, o cristão precisa aprender diariamente e sempre.

Veja o que Salomão diz acerca daqueles que acham que já sabem de tudo e que não precisam mais aprender: “Tens visto o homem que é sábio a seus próprios olhos? Pode-se esperar mais do tolo do que dele” (Pv 26.12)

 

 

●     O JEJUM BÍBLICO E A CONSAGRAÇÃO. Jejuar não é passar fome ou sede. Jejuar vai além de cumprir horários, regras ou protocolos. O jejum bíblico e a consagração são disciplinas cristãs. A consagração é, em síntese, um tempo, um período que separamos para nos dedicar a Deus em: oração, louvor, meditação nas Escrituras, contemplação, reflexão, quebrantamento etc. Falo da consagração específica pois, nossa vida toda deve ser uma consagração a Deus.

O jejum é, em síntese, uma disciplina espiritual na qual o crente se abstém (quando possível), de forma parcial ou total, de alimento e líquido (ou de um dos dois) por um determinado período de tempo. O tempo do jejum, e do que se abster, vai depender da realidade e condições de cada crente. Deus conhece a realidade e a estrutura de cada um dos seus filhos. Existem outros aspectos acerca do jejum que também são mais particulares, como por exemplo, o tempo de duração do jejum e o dia em que se deve e se pode jejuar. O jejum é uma disciplina, e Deus olha, sobretudo para a inteireza, sinceridade e integridade do nosso coração (Is 58.6-13; Mt 6.16-18).

O jejum e a consagração, quando feitos pelos motivos corretos, são disciplinas espirituais que nos levam ao crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 

 

Obviamente que existem outras coisas, ou bases, estabelecidas por Deus que promovem em nós o crescimento, mas destacamos algumas delas, sobretudo as Escrituras sagradas, por meio da qual as demais bases são possíveis.

 

 

OS PERIGOS DO “RAQUITISMO ESPIRITUAL”

 

 

O raquitismo é uma doença óssea que atinge bebês e crianças em fase de crescimento, causando o amolecimento e enfraquecimento dos ossos. Ela ocorre (entre outras coisas) por falta de alguns minerais essenciais para o esqueleto, como: fósforo, cálcio e vitamina D. Essa doença pode levar a criança a crescer com deformidades físicas e, em casos graves e não tratados, pode até levar a criança a ficar paraplégica.

Muitos cristãos sofrem de “raquitismo espiritual”, São pessoas que até nasceram de novo, mas não cresceram, ou têm crescido com sérias deformidades espirituais, devido à falta dos elementos necessários para o crescimento, ou pela rejeição total desses elementos, como o principal deles, a palavra de Deus. Outros até começaram a crescer, mas estagnaram durante a caminhada. É preciso levantar, retomar, marchar e combater o raquitismo espiritual.

 

Pedro foi imperativo e firme ao afirmar: “cresçam”, e em várias outras passagens das Escrituras essa verdade é asseverada:

 

●     O autor aos Hebreus diz que os que não crescem e nem amadurecem “são meninos espirituais” (Hb 5.13)

●     Também diz que os que não crescem não alcançam a maturidade cristã

●     Paulo diz que os que não crescem em conhecimento não alcançam a estatura de varão “perfeito” (Ef 4.13)

●     Paulo também diz que se não crescemos em conhecimento não chegamos à estatura completa de Cristo (Ef 4.12,13)

●     Paulo ainda diz que os que não crescem são meninos levados por todo vento de doutrina (Ef 4.14)

●     Paulo ainda acrescenta que temos que crescer em tudo, mas que esse crescimento é em Cristo (Ef 4.15)

●     Aos colossenses Paulo fala atrelando a frutificação ao conhecimento da vontade de Deus. Ou seja, o conhecimento de Deus nos leva a frutificação etc.

 

 

Todo salvo precisa crescer na graça e no conhecimento, ou seja, crescer em Cristo. Esse crescimento não pode ser artificial, mas espiritual e profundo. O mesmo não está restrito a: tempo de fé, posição social, posição ministerial, idade etc. Esse crescimento é produzido pela ação do Espírito Santo de Deus na vida do salvo que se submeteu humildemente ao processo de crescimento, e também procurou viver na prática esse crescimento diário de uma forma intensa e comprometida. O crescimento está à disposição de todos os salvos, mas muitos já se conformaram com o raquitismo espiritual, muitos já se moldaram à mesmice, à meninice, à religiosidade vazia e à estagnação espiritual.

 

 

O CULTO A IGNORÂNCIA E O RAQUITISMO ESPIRITUAL

 

Entre aqueles que suas ligaduras já se amoldaram ao raquitismo espiritual, estão os que se opõem ao crescimento na graça e no conhecimento, e que por outro lado praticam uma espécie de idolatria à ignorância. É triste observar que muitas pessoas se orgulham de não conhecer a Deus, e falam disso como se fosse uma virtude. Estão na igreja, ceiam, participam dos trabalhos, têm funções ministeriais, mas servem a um Deus que elas mesmas rejeitam conhecer; isso é uma contradição por natureza.

 

Assim, cresçamos em Cristo, cresçamos progressivamente rumo à “estatura de varão perfeito”. Quem não cresce, decresce. Quem deixa de crescer, começa literalmente a morrer.

 

É preciso crescermos em Cristo, seguindo as bases estabelecidas por ele para esse crescimento. O raquitismo espiritual pode ser a falta de crescimento, a estagnação na caminhada ou o crescimento “defeituoso”. Tanto uma coisa como a outra deve ser rejeitada. Devemos crescer de forma progressiva, mas sadia. Devemos crescer em Cristo, segundo o que está estabelecido na sua palavra, esse é o verdadeiro crescimento.

 

 

O PERIGO DO ORGULHO ESPIRITUAL

 

Se em um extremo existem os que sofrem de raquitismo espiritual e os que “cultuam a ignorância”, por outro lado existem aqueles que se orgulham do próprio crescimento que pensam terem alcançado.

 

O próprio Pedro se viu envolvido no orgulho quando “pensou” que conhecia verdadeiramente a Cristo a ponto de estar disposto a morrer por ele. Mas Jesus disse que Pedro ainda não tinha se convertido (Lc 22.32), e que o mesmo o negaria por três vezes (Lc 22.33)

 

O orgulho espiritual leva a pessoa ao espírito de grandeza, de vanglória, de auto exaltação. O orgulho leva a pessoa a idolatrar as próprias virtudes e a leva à incapacidade de reconhecer suas limitações e falhas.

O orgulhoso espiritual sempre pensa ser mais do que ele realmente é. É a idolatria e a entronização do eu.

 

ALGUNS SINTOMAS DE ORGULHO ESPIRITUAL

 

●     Falta de humildade

●     Culto a personalidade (o eu)

●     Acha que é mais espiritual que os demais

●     Acha que tem mais intimidade com Deus do que todos os demais

●     É incapaz de pedir ajuda e apoio espiritual

●     Se sente inerrante e infalível

●     É inflexível e impiedoso com as limitações e fraquezas dos outros

●     Faz a auto defesa da sua falsa humildade (eu sou humilde)

●     Sempre se justifica, mas nunca admite erros, falhas

●     Sempre ora mais e estuda mais que os outros

●     É impaciente com o processo de crescimento na vida dos outros etc.

 

 

Precisamos ter muito cuidado, o verdadeiro crescimento na graça e no conhecimento não nos leva ao orgulho, à arrogância ou à soberba, mas nos leva às asas da humildade e humilhação. Se o conhecimento que tu adquires te deixa soberbo, esse conhecimento não procede de Deus, esse conhecimento não glorifica a Deus.

 

O crescimento na graça e no conhecimento na verdade revela nossa pequenez e ao mesmo tempo revela a grandeza de Deus. Quanto mais aprendemos, crescemos, mas percebemos o tamanho da nossa ignorância e limitação. O orgulho espiritual é sinal de imaturidade e carnalidade.

O crescimento deve exaltar a Deus, e não a nós mesmos. Que possamos sondar os nossos corações, e enchê-los da palavra de Deus, e não permitir que o orgulho encontre espaço em nossas vidas.

 

Tiago disse: “...Deus resiste aos soberbos, porém da graça aos humildes” (Tg 4.6).

Também diz: “Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna” (Tg 4.16). Ou seja, Tiago diz que o orgulho espiritual é uma obra maligna. O conhecimento que leva ao orgulho não é conhecimento de Deus, é fermento do maligno. Vigiemos, vigiemos!

 

 

O EXEMPLO DO PRÓPRIO APÓSTOLO PEDRO

 

 

O próprio apóstolo Pedro que escreve de forma inspirada essa carta, tem o próprio exemplo de vida para nos ensinar.

 

O mesmo foi chamado por Cristo, andou com Cristo, aprendeu com Cristo, viveu por mais de três anos aprendendo de forma prática e inigualável com Cristo, e ainda assim, “não conhecia a Cristo verdadeiramente”

 

Pedro, depois de ter andado com Jesus por três anos, depois de ter dito que estaria disposto a morrer por Cristo (Lc 22.33), nega que conhecia a Cristo à beira do fogo (Lc 22.57).

 

Quando Pedro diz que não conhecia a Cristo estava:

 

●     Mentindo pois, ele havia andado com Cristo por mais de três anos. Pedro conhecia a Cristo pelo menos intelectualmente.

●     Revelando sua fragilidade. Pedro, na sua fragilidade, não queria ser associado com Cristo. O homem que disse que morreria por Cristo agora tem vergonha do seu nome e pessoa.

●     Ao negar que conhecia a Cristo, Pedro revela que realmente não o conhecia. Pedro sabia quem Jesus era, o conhecia intelectualmente mas não o conhecia verdadeiramente. Pedro estava com Cristo, andava com Cristo, comia com Cristo, falava de Cristo, assistia aos milagres de Cristo, aprendeu diretamente com Cristo, mas ainda não conhecia verdadeiramente o Senhor, que tristeza! Quantos estão nessa mesma situação!

 

 

 

O próprio Cristo diz a Pedro, àquela altura, próximo a sua morte, que ele ainda não tinha de fato se convertido: “... e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22.32). Pedro andava com Cristo, mas ainda não o conhecia verdadeiramente. Pedro não tinha ainda experimentado o verdadeiro conhecimento. Muitos vão à igreja, servem, oram, jejuam e ainda assim não conhecem a Cristo. Muitas arestas ainda precisam ser reajustadas. Muitos andam na igreja mas não nasceram de novo, outros até nasceram, mas não conhecem o Deus a quem servem.

 

Mas esse Pedro, limitado como nós, falho, cresceu, saiu do raquitismo espiritual e frutificou grandemente no corpo de Cristo, após a morte e ressurreição do “seu Senhor”.

 

O Pedro que à beira do fogo negou que conhecia a Jesus, é aquele que em público, diante do Sinédrio e de muitas ameaças (ele estava com João) diz: “Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.20). Pedro agora demonstra que verdadeiramente conhecia a Jesus.

 

Sua declaração ousada ante as ameaças dos líderes religiosos (e outros) é uma evidência

 da conversão, do crescimento, da maturidade espiritual. Agora Pedro poderia “confirmar os irmãos”, mas também poderia falar de forma ousada de um Cristo que ele conhecia verdadeiramente, aleluia!

 

 

CONCLUSÃO

 

Concluo ecoando as palavras que o Espírito Santo inspirou a Pedro: “Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (2Pe 3.18).

 

Portanto, vimos que crescer é uma ordem divina.

Também vimos que graça e conhecimento não são realidades distintas, mas as duas expressões denotam uma verdade interconectada no processo do conhecimento de Deus. Também pontuamos a necessidade (alguns motivos) de se crescer e os meios que Deus estabeleceu para esse crescimento. Ainda destacamos os perigos do “raquitismo espiritual e do culto à ignorância” e concluímos citando o exemplo pedagógico do próprio apóstolo Pedro que tem muito a nos ensinar

 

Oro para que Deus te abençoe, e que ele nos desperte, nos torne a cada dia mais “inconformados com a falta de crescimento nele”. Oro para que Deus te fortaleça nesse processo de crescimento nele.

Que possamos rumar, marchando em direção à maturidade cristã, à estatura de varão perfeito.

 

Que Deus nos ajude, que possamos pela graça, permanecer nele, e aguardar em amor, temor e santidade a sua vinda. Essa é nossa esperança, aguardar o Arrebatamento da Igreja para estarmos com o Senhor para todo o sempre, amém (Jo 14.1-5). Como bem afirmou João: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 Jo 3.2,3)

 

Maranata, ora vem Senhor Jesus

 

 

JESUS CRISTO SALVA, CURA, BATIZA NO ESPÍRITO SANTO E BREVE VOLTARÁ.

 

 

EM CRISTO: Romário Rodrigues


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Deus abençoe grandemente a cada um

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